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REN21 publica Relatório da Situação Global das Energias Renováveis 2018
28 de Junho de 2018
REN21 publica Relatório da Situação Global das Energias Renováveis 2018

A REN21, rede da qual a ALER é membro, publicou no dia 4 de Junho, o seu Relatório da Situação Global das Energias Renováveis 2018, que é a visão global anual mais completa do estado das energias renováveis no mundo.

 

A energia renovável contribuiu com 70% do acréscimo líquido para a capacidade de produção de electricidade em 2017, o maior aumento de capacidade de produção através de renováveis na história moderna. No entanto, os sectores do aquecimento, arrefecimento e transportes – que no seu conjunto representam quatro quintos da procura final de energia a nível global – continuam a apresentar um atraso em relação ao sector eléctrico.

 

A nova capacidade de energia solar fotovoltaica (PV) atingiu níveis recorde: O aumento de energia solar fotovoltaica foi superior a 29% relativamente a 2016, representando 98 GW. Foi adicionada mais capacidade de produção através de energia solar fotovoltaica do que o acréscimo líquido do carvão, gás natural e energia nuclear juntos. A energia eólica também contribuiu para o aumento de renováveis com 52 GW adicionados a nível global.

 

O investimento em nova capacidade de produção através de renováveis foi mais do dobro do valor líquido da capacidade adicionada através de combustíveis fósseis e energia nuclear combinados, apesar dos contínuos subsídios elevados para a produção através de combustíveis fosseis. Mais de dois terços do investimento em produção de energia em 2017 foi através de renováveis, graças ao aumento de competitividade do preço – e é expectável que a percentagem de renováveis no sector eléctrico apenas continue a aumentar.

 

O investimento em renováveis concentrou-se a nível regional: China e Estados Unidos da América contabilizaram aproximadamente 75% do investimento global em renováveis em 2017. No entanto, quando contabilizado por unidade do Produto Interno Bruto (PIB), as Ilhas Marshall, Ruanda, Ilhas Salomão, Guiné-Bissau e outros países em desenvolvimento estão a investir tanto ou mais em energias renováveis do que os países desenvolvidos e as economias emergentes.

 

Tanto a procura de energia como as emissões de CO2 relacionadas com a energia aumentaram substancialmente pela primeira vez em quatro anos. As emissões de CO2 relacionadas com a energia aumentaram 1,4%. A nível global a procura de energia aumentou cerca de 2,1% em 2017 devido ao crescimento económico das economias emergentes e do aumento da população. O aumento de energias renováveis não está a conseguir acompanhar o aumento da procura de energia e o continuo investimento em produção fóssil e nuclear.

 

No sector eléctrico, a transição para as renováveis está a acontecer, mas a um ritmo mais lento do que seria possível ou desejável. O compromisso assumido no Acordo de Paris em 2015 para limitar o aumento da temperatura global “bem abaixo” dos 2 graus Celsius em relação aos níveis pré-industriais torna mais clara a natureza deste desafio.

Se o mundo quiser atingir as metas previstas no Acordo de Paris, então o aquecimento, arrefecimento e os transportes terão que percorrer o mesmo caminho que o sector eléctrico - e rapidamente. Estes sectores têm visto:

 

Pequenas mudanças no aumento das renováveis no aquecimento e arrefecimento: a energia renovável moderna forneceu aproximadamente 10% do total global de produção de calor em 2015. Apenas existem metas nacionais para a energia renovável no aquecimento e arrefecimento em 48 países no mundo, enquanto que 146 países têm metas para as energias renováveis no sector eléctrico.

 

Pequenas mudanças estão a caminho. Na India, por exemplo, instalações de colectores solares térmicos aumentaram aproximadamente 25% em 2017 quando comparadas com 2016. A China tem por objectivo que 2% da carga de arrefecimento dos seus edifícios seja proveniente de energia solar térmica em 2020.

 

Nos transportes, o aumento da electrificação está a oferecer oportunidades para o aumento das renováveis, apesar da predominância dos combustíveis fosseis: Mais de 30 milhões de veículos eléctricos de duas e três rodas têm sido colocados nas estradas por todo o mundo a cada ano e 1,2 milhões de automóveis eléctricos de passageiros foram vendidos em 2017, mais de 58% em relação a 2016. A electricidade fornece 1,3% das necessidades energéticas para os transportes, das quais cerca de um quarto são renováveis, e os biocombustíveis fornecem 2,9%. De uma forma geral, no entanto, 92% da procura de energia nos transportes continua a ser satisfeita por petróleo, e apenas 42 países têm metas nacionais para o uso de renováveis nos transportes.

 

Para haver uma mudança nestes sectores, o enquadramento político certo tem que ser posto em prática, incentivando a inovação e o desenvolvimento de novas tecnologias de energias renováveis que estão em falta nestes sectores.

 

“Comparar ‘electricidade’ com ‘energia’ está a levar à complacência”, diz Rana Adib, Secretária Executiva da REN21. “Podemos estar no bom caminho para um futuro com 100% de renováveis no sector eléctrico, mas no que que diz respeito ao aquecimento, arrefecimento e transportes, estamos à deriva como se tivéssemos todo o tempo do mundo, e não temos.”

 

Arthouros Zervos, Presidente da REN21, acrescenta: “Para que a transição energética aconteça tem que haver uma liderança política dos governos – por exemplo acabar com os subsídios para os combustíveis fósseis e para o nuclear, investir nas infraestruturas necessárias e estabelecer metas e políticas ambiciosas para o aquecimento, arrefecimento e transportes. Sem essa liderança, será difícil o mundo atingir os compromissos climáticos ou de desenvolvimento sustentável.”

 

Faça aqui o download do relatório, destaques, sumários nacionais e regionais, bem como das infografias.

 

Fonte e Imagem © REN21