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O imperativo das energias renováveis para África
21 de Outubro
O imperativo das energias renováveis para África
Joao Sarmento Cunha

Caros amigos e Associados da ALER,
 

Sinto-me honrado com o convite da ALER e pela oportunidade dada para sublinhar o imperativo das energias renováveis ​​na transformação económica de África e o papel do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) como um parceiro de confiança na transição para um futuro de energia de baixo carbono.
 

A falta de energia é o desafio mais crítico que a África enfrenta hoje. Estima-se que na África subsaariana mais de dois terços da população - mais de 600 milhões de pessoas - não têm acesso à electricidade. Nas regiões onde a energia está disponível, a oferta é muitas vezes cara e pouco fiável, com quebras no fornecimento de electricidade de 91 dias por ano, em média, o que representa um custo de mais de 2% do PIB. No entanto, o verdadeiro valor da energia moderna para cada Africano é certamente muito maior, na forma de uma melhor educação, melhores cuidados de saúde, maior produtividade e rendimentos, mais oportunidades de emprego e igualdade de género. Energia para todos é, portanto, um imperativo para desbloquear o potencial económico do continente.
 

Paradoxalmente, a África é dotada de recursos energéticos renováveis ​​abundantes que vão muito além das suas necessidades. Este potencial pode ser explorado utilizando tecnologias comprovadas e conhecimento disponível no desenvolvimento de fontes de energia solar, eólica, hídrica, geotérmica e de biomassa. Além disso, os preços de certas tecnologias renováveis ​​caíram drasticamente nos últimos anos e estão cada vez mais competitivos com as tecnologias ditas convencionais, e são efectivamente mais baratas em áreas isoladas e distantes da rede nacional. Esta convergência oferece uma oportunidade única para iluminar e fornecer energia a África, contribuindo também para a transição para um futuro mais verde e de baixo teor de carbono.
 

O BAD, como a instituição financeira de referência no desenvolvimento do continente Africano, está a desempenhar um papel de liderança nessa transição. O Banco, que canalizou aproximadamente 7 mil milhões de dólares para projetos de energia limpa desde 2007, é uma agência de execução de iniciativas globais, tais como o Scaling-up Renewable Energy Programme e o Clean Technology Fund; hospeda o Sustainable Energy Fund for Africa (SEFA); e é a sede dos secretariados do Sustainable Energy for All (SE4All) Africa Hub e do Africa Energy Leaders Group.
 

Ainda há muito trabalho a ser feito e é por isso que o BAD está a elevar o seu nível de ambição. Imediatamente após assumir o cargo a 1 de Setembro de 2015, o novo Presidente Adesina anunciou a iniciativa de referência New Deal on Energy for Africa, para catalisar os 55 mil milhões de dólares necessários para colmatar a lacuna de financiamento no sector da energia na África subsaariana. No âmbito desta iniciativa, o Banco, os seus parceiros e países clientes vão comprometer-se a uma cooperação mais próxima, ao aumento do financiamento e reformas mais profundas no sector da energia. Os investimentos em energias renováveis ​​terão um papel central e oferecerão o melhor caminho para a electrificação de comunidades isoladas ou carentes de todo o continente.
 

O BAD já está activamente envolvido nos países africanos lusófonos e posiciona-se como um parceiro estratégico em energia limpa. Por exemplo, através do SEFA o Banco está actualmente a apoiar: a implementação da nova lei de tarifas feed-in em Moçambique para desbloquear os investimentos privados em renováveis ligadas à rede e em mini-redes; um projecto inovador de energia das ondas para dessalinização de água em Cabo Verde para resolver a escassez de água do país ao mesmo tempo que reduz as importações de combustíveis fósseis e a ambição de longa data da Guiné-Bissau de implementar um projecto de energia hidroeléctrica (Saltinho), de importância fundamental não apenas para satisfazer as necessidades internas mas também para permitir a exportação de electricidade para a sub-região.
 

O Banco dá, portanto, as boas vindas e elogia o trabalho da ALER como um catalisador de cooperação para acelerar os investimentos muito necessários em infra-estruturas de energia renovável nos países africanos lusófonos.
 

Joao Sarmento Cunha
(Chief Climate Finance Officer / Coordenador de Fundos de Energia Renovável do Banco Africano de Desenvolvimento)