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Banco Mundial insiste na aposta nas energias renováveis em África
2 de Junho de 2022
Banco Mundial insiste na aposta nas energias renováveis em África

David Malpass, Presidente do Banco Mundial, afirmou que as energias renováveis são “um alicerce fundamental para a segurança e melhorias em geral no crescimento e no nível de vida” durante a sua participação no Fórum de Governação 2022, organizado pela Fundação Mo Ibrahim.

 

Indica ainda que, apesar do gás natural ser importante como combustível de transição, África deve apostar nas energias renováveis para crescer economicamente, dando o exemplo de crises como a guerra na Ucrânia que influenciam a dependência de África relativamente à energia proveniente de outros continentes.

 

Como soluções, refere que a aposta passa por novos investimentos em manutenção de hidroelétricas e barragens, no aumento da eficiência energética, incluindo ar condicionado, e investimentos necessários na rede para absorver as energias renováveis: “Estes vários passos serão essenciais na transição de África da agricultura de subsistência para a atividade económica produtiva na agricultura, serviços, indústria e setores públicos”.

 

De acordo com estudo publicado pela Fundação Mo Ibrahim , África é o continente com o mais baixo nível de acesso a energia, onde apenas 55,7% da população tem eletricidade, contra uma média de 90% no resto do mundo.

Segundo o mesmo estudo, mais de 930 milhões têm de usar combustíveis poluentes, como carvão, madeira ou gasolina, para cozinhar, agravando os riscos de saúde, resultando em quase 500 mil mortes prematuras por ano.

 

Ainda assim, 22 países africanos já usam energias renováveis como principal fonte de eletricidade, sobretudo energia hídrica, mas também solar e geotérmica, sendo que, Moçambique é um dos oito países africanos onde mais de 90% da eletricidade é gerada de energias limpas.

 

No entanto, muitos países africanos defendem a exploração das grandes reservas de gás no continente para desenvolver-se socioeconomicamente tendo em conta as crises resultantes da pandemia de covid-19 e da guerra na Ucrânia, que aumentaram os preços da energia, cereais e fertilizantes. Os países africanos criticam a União Europeia por ter anunciado na cimeira climática COP26, em 2021, a suspensão do financiamento europeu a projetos de hidrocarbonetos no estrangeiro.

 

“A retórica está a mudar devido à guerra na Ucrânia. O gás que temos em África é muito importante para nós e para o resto do mundo para a transição energética”, afirmou Mamadou Fall Kane, assessor para a energia do Presidente da República do Senegal, durante o Fórum.

 

 

Fonte: Inforpress/Lusa